"As crises de pânico salvaram a minha vida"

Dia desses eu tava conversando com um amigo, e ele me perguntou o que eu achava que eram as crises de ansiedade.

Dei uma resposta genérica, falando que era um desajuste nos neurotransmissores, que disparava a reação de luta e fuga, mas ele me interrompeu e disse mais ou menos assim:

- Não, cara, não é nesse sentido. Pra mim, elas são um pedido de socorro do corpo e da alma. São uma maneira do corpo dizer que não aguenta mais esse estilo de vida. No meu caso, os ataques de pânico salvaram a minha vida.

E ele continuou, dizendo que, quando teve as primeiras crises, estava num momento super estressante, trabalhando 13 horas por dia, sem vida social, com o casamento indo de mal a pior e, que se não fosse uma coisa tão radical como as crises, a ficha nunca teria caído e ele não teria tido forças para mudar de vida. Teria continuado por muitos anos "empurrando com a barriga", provavelmente desenvolvendo outros tipos de problemas e até mesmo doenças graves.

Ele abandonou tudo. Largou aquele trabalho, se mudou, deu um tempo no casamento, passou a se alimentar melhor, a fazer exercícios físicos regularmente e os sintomas de ansiedade passaram. Hoje ele vive bem.

Já perdi a conta de quantas vezes vi esse tipo de história. Essas pessoas fizeram a coisa certa. Em vez de ver as crises de pânico como doença, perceberam que era só uma manifestação do corpo e da alma, um chamado para a mudança. Assim como quando temos diarréia quando comemos alguma coisa estragada.

Infelizmente, muita gente não teve essa sacada, inclusive eu. Começamos a achar que temos alguma doença e passamos anos lutando contra os sintomas, tomando remédio para não senti-los e evitando vários lugares, como shoppings, restaurantes, festas, etc. O meu ex-psiquiatra dizia que a Síndrome do Pânico deveria ser chamada de "Síndrome da Evitação".

Então, se você nunca viu a Síndrome do Pânico por esse ponto de vista, recomendo que mude o olhar. Ainda dá tempo. Sempre dá. 






Comentários

Postagens mais visitadas