Síndrome do Pânico com Agorafobia: como estou superando
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| E pensar que há alguns meses atrás, eu nem imaginaria que poderia fazer isso... |
Lutei contra a agorafobia por 8 anos e só agora estou tendo uma vida normal. Essa é minha experiência. Não é um manual de "como vencer a Síndrome do Pânico e a agorafobia" porque as pessoas encontram maneiras diferentes de fazer isso, mas espero poder ajudar.
Primeiro, vou dizer como desenvolvi agorafobia. Em 2009, tive vários ataques de pânico e sintomas fortes de ansiedade tanto em casa quanto na rua. A diferença é que encontrei uma maneira de lidar com as crises de pânico em casa (eu deitava na cama, respirava devagar e acabava dormindo, porque dormir sempre foi fácil para mim). Mas, obviamente, não tinha como fazer isso num restaurante, cinema, avião, rua ou num show. No meu caso, não fazia diferença se a praia estivesse lotada ou vazia, por exemplo. Porque, se eu tivesse um ataque de pânico, eu não saberia como me livrar dele de qualquer jeito. Não fazia diferença se eu estivesse sozinho ou com alguém (na verdade, era pior se eu estivesse com alguém, porque eu não queria dizer à pessoa que eu não estava me sentindo bem e arruinar o programa). Nesses anos, conheci pessoas para as quais isso fazia toda a diferença, mas não pra mim.
Eu tentei tudo o que você pode imaginar para distrair minha mente (cantar, orar, contar pessoas e carros, etc), mas nada funcionou. Li muitos livros, assisti vídeos, fiz terapia, enfrentava meus medos todos os dias, até sem necessidade. Eu só queria encontrar uma 'fórmula' para parar essas sensações horríveis. "No dia que isso acontecer" - eu pensava - "vou poder sair de casa sem medo porque vai ser só fazer isso e os sintomas vão embora". Os anos foram passando e eu não descobri a tal fórmula. Depois, descobri que isso acontecia justamente porque eu tava tentando arrumar uma fórmula. Eu ficava agitado porque tudo o que eu tentava não funcionava e não dava tempo pro meu organismo relaxar.
Assim, comecei a ter uma vida bem limitada. Eu saía de casa quando precisava, mas sempre com medo. Era só chegar na esquina que já vinha a pressão no peito. Então, por algum tempo, eu não quis emprego, ou namorada, etc. Afinal, como eu iria namorar alguém e ser um ´peso´ pra essa pessoa, que ia querer viajar, ir no cinema, numa festa, etc? Mas sabia que acharia uma saída pra isso.
Toda vez que eu saía de casa e começava a sentir essas sensações, eu ficava tipo “ok, eu tenho que aceitar”, mas não relaxava. Eu realmente não aceitava. Eu estava sempre checando meu corpo e ficava com raiva / medo porque as sensações ainda estavam lá. Depois de alguns minutos eu fiquei tipo “estou aceitando. Por que ainda estou sentindo isso?" Nem precisa dizer que não tinha nada de aceitação nisso.
Por acaso, assisti a dois vídeos gratuitos do programa Panic Away. Eu já sabia da existência dele, mas nunca pensei em comprar porque não tenho cartão de crédito internacional e, para ser sincero, nunca confiei totalmente nesses métodos. Mas eu dei uma chance (o que eu tinha a perder?) E vi esses vídeos (em inglês):
e
O primeiro vídeo é de um médico falando que, por piores que sejam as sensações, são apenas um desconforto. E eu nunca tinha visto desse jeito. Todo mundo às vezes sente um desconforto grande, como uma dor de cabeça ou dor de dente. A diferença é que quem tem Síndrome do Pânico acha que esse desconforto vai aumentar até a pessoa perder o controle.
No segundo vídeo, o autor fala pra ressignificar as sensações. Disse que são parecidas com as sensações que a gente sente quando estamos muito excitados (e são mesmo). Então, precisamos "falar" isso pro cérebro, pra que ele entenda como uma coisa boa.
Depois desses vídeos, toda vez que saía de casa e sentia aquela pressão no peito, pensava que era apenas um desconforto. Um desconforto horrível, mas um desconforto. Mas pensava "Não sei como, mas vai passar". Eu costumava fazer uma caminhada todos os dias, e sempre repetia esse "mantra" e tentava repetir o "estou excitado com essa sensação" do segundo vídeo toda vez que me lembrava. Por alguns dias, nada aconteceu, mas, depois de uma semana, comecei a perceber que os sentimentos de ansiedade tinham diminuído um pouco. Isso me animou, porque antes, não fazia diferença, ou eu não notava. Agora, eu tava vendo que era possível fazer uma caminhada com menos sintomas e, se os sintomas diminuíram um pouco, por que não poderiam diminuir mais, e até mesmo sumir?
Saber disso me fez perceber como desarmar a bomba no estágio inicial. Porque, se eu reagisse com medo, o medo levaria mais adrenalina à corrente sanguínea e os sintomas aumentariam (como explicado nesse post aqui). Depois de fazer isso por um tempo, comecei a perceber que, depois uns 20 minutos, estava me sentindo bem melhor. Isso me deu confiança e eu fui obviamente fazendo a mesma coisa em todas as situações. Chegou um momento que eu já tinha vida normal no meu bairro, mas ainda me sentia um pouco ansioso quando saía dele. Com o tempo, isso foi passando também. Agora eu vivo basicamente uma vida normal. Semana passada fui fazer uma entrevista de emprego bem longe de casa, e nem pensei nisso. Em outros, tempos, eu nem mandaria o currículo! Só de pensar na possibilidade de ter uma crise no caminho, ou na frente do entrevistador, e não poder voltar correndo pra casa já me deixava tenso. Ainda tenho alguns medos, como viajar, mas hoje já começo a encarar essa possibilidade com mais naturalidade.
Fiz o caminho inverso de muita gente que superou o pânico. Cansei de ver relatos de pessoas que foram nas causas da ansiedade (mudaram de emprego, de relacionamento, passaram a levar uma vida mais leve, etc) até que os sintomas foram ficando mais leves. No meu caso, eu apenas aprendi a lidar com as sensações, mas ainda sinto de vez em quando (e espero passar).
Agora preciso ir na raiz do problema. Síndrome do Pânico geralmente é um acúmulo de stress, são o nosso corpo e alma gritando socorro e pedindo pra gente mudar de vida. Quero finalmente tomar vergonha e fazer meditação, cuidar da minha espiritualidade, me alimentar melhor e descobrir o que me causa mais stress. Mas vamos que vamos.
Espero que minha experiência sirva de alguma ajuda. Agorafobia é um inferno. Se quiserem trocar uma idéia, comentem que eu respondo. Abraços a tod@s.




Amei seu blog.. Claro que ainda não li tudo.. É muito importante pra mim ver relatos como o seu já que tudo que vc relatou também acontece comigo.. Eu busco incessantemente a cura total e absoluta.. E depois quero ajudar outras pessoas a se curar em.. Ainda existem muitas dúvidas sobre a causa e a cura.. A medicina ainda engatinha sobre a doença, afinal no físico se fazem cirurgias.. No cérebro /akma/ego/psique não! Os remédios apenas aliviam os sintomas mas não curam.. É como uma infecção da psique.. Onde o remédio apenas tira a dor e aafebre, mas a infecção esta lá é e precisa ser tratada na causa raiz.. Ainda não inventaram o antibiótico pra isso.. O cérebro é complexo e é um computador onde vamos instalando muitas vezes, vírus.. Precisamos desinstalar e deletar esses lixos.. Eu gostei muotomdo seu blog e espero continuar conversando com vc.. Sou a Gi Evaristo do grupo agorafobia.. Obrigada por me mostrar seu blog.. Aguardo retorno.. Tbm tenho informações sobre o assunto pois ppesquiso sempre.. Até logo e parabéns pelo blog.. Ajuda muita gente! Abcs
ResponderExcluirOi Gi. Só agora vi seu comentario. Como vc tá? Obrigado pelos elogios. Fiz uma viagem mês passado e foi tudo bem. Nunca imaginei que isso seria possível há 2 anos atras, por exemplo.
ExcluirMuito bom sua experiência , me identifiquei a minha tbm começou em 2009 fui diagnosticado com síndrome do pânico , ao passar do tempo TAG , depressão , ainda não encontrei o caminho , parei de viver preciso me curar disso se puder dê mais dicas obrigado.
ResponderExcluirOi Felipe. O brabo desse lance de ansiedade é que nao existe uma formula. Cada um acha seu caminho. Mas, se vc quiser conversar mais sobre isso, me manda um email. artistarj@yahoo.com
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